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Câmara Municipal de Esposende (voltar ao início)

Esposende recebe este sábado mais de 600 participantes no primeiro “Traj’a Norte”

14 Setembro 2026

Esposende vai ser palco, no próximo sábado, 19 de setembro, de um grande evento da indumentária tradicional do Norte de Portugal, com mais de 600 participantes, entre elementos de grupos folclóricos e colecionadores, a desfilarem no Largo Rodrigues Sampaio, a partir das 21h30.

O “Traj’a Norte – Desfile da Indumentária do Povo do Douro ao Minho”, apresentado esta segunda-feira, na Câmara Municipal de Esposende, pretende afirmar-se como uma iniciativa de valorização, divulgação e interpretação do património etnográfico do território compreendido entre o Douro e o Minho.

A sessão de apresentação, realizada na Praça do Município, contou com a presença da Vereadora da Cultura, Paula Cepa, e com as intervenções de André Marcos, do Grupo Folclórico da Universidade do Minho, e Carlos Couto, do Grupo Associativo de Divulgação Tradicional de Forjães, que fizeram a contextualização do conceito e da dinâmica desta primeira edição. A iniciativa reúne mais de 60 grupos e colecionadores e pretende transformar Esposende num ponto de encontro para a salvaguarda e valorização da cultura tradicional do Norte.

Integrado nas Jornadas Europeias do Património 2026, subordinadas ao tema “Reviver, resistir, reinventar”, o “Traj’a Norte” propõe uma viagem pela forma como as comunidades rurais se vestiam e viviam entre o final do século XIX e o início do século XX, recuperando memórias, usos e costumes através de uma das mais expressivas manifestações da identidade cultural das populações: o traje.

O momento alto acontece este sábado, com o grande desfile no Largo Rodrigues Sampaio, organizado em seis grandes quadros, nomeadamente “O Mar”, “O Trabalho”, “A Feira”, “O Casamento”, “Trajes de Festa e Domingueiros” e “A Romaria”, permitindo ao público conhecer diferentes formas de vestir e compreender a relação entre a indumentária e os contextos sociais, económicos, culturais e religiosos em que os trajes eram utilizados.

Desde os trajes associados ao trabalho e ao quotidiano até às indumentárias de festa, casamento e romaria, o desfile pretende mostrar uma cultura profundamente ligada ao território e às suas comunidades. Saias, coletes, lenços, adornos e peças de ouro assumem, neste contexto, um papel que vai muito para além da dimensão estética, permitindo contar histórias relacionadas com o trabalho, a fé, a celebração, a condição social e a pertença a um território que se estende do Douro ao Minho e que mantém fortes afinidades culturais com a vizinha Galiza.

A iniciativa terá igualmente uma forte componente musical, com a participação do Coro de Pequenos Cantores de Esposende, tocadores de vários grupos folclóricos locais, bombos, Zés P’reiras, Cantadeiras do Vale do Neiva, momentos de canto a cappella e outras formações musicais, cruzando a memória visual dos trajes com a memória sonora das comunidades.

A contextualização dos trajes e das manifestações etnográficas tem como uma das referências o trabalho de recolha desenvolvido pelo etnomusicólogo Michel Giacometti, numa abordagem que procura conciliar o rigor histórico com uma apresentação contemporânea do património.

Na sessão de apresentação, Paula Cepa sublinhou a importância de encarar o património cultural imaterial como uma realidade viva, que não deve ficar confinada aos museus ou aos arquivos, mas que deve ser estudada, preservada e, sobretudo, partilhada com a comunidade. É precisamente neste sentido que o “Traj’a Norte” se cruza com o lema das Jornadas Europeias do Património, procurando “reviver” a memória das comunidades, “resistir” ao esquecimento e “reinventar” as formas de transmitir este património às novas gerações.

A iniciativa tem vindo também a mobilizar a comunidade e o comércio local. Setenta estabelecimentos comerciais aderiram ao concurso de montras, apresentando trajes tradicionais, peças antigas, fotografias, adereços e outros objetos relacionados com as vivências e a cultura popular.

Esta adesão levou o “Traj’a Norte” para além do espaço do desfile, transformando as ruas e as montras de Esposende numa verdadeira exposição de património e criando um ambiente de envolvimento comunitário em torno da iniciativa.

Os grupos folclóricos locais assumem igualmente um papel central, sendo reconhecido pelo Município o trabalho desenvolvido por estas associações na preservação, estudo e transmissão das tradições e o seu contributo para a construção desta primeira edição.

O “Traj’a Norte” representa, assim, mais uma aposta do Município de Esposende na valorização do folclore e das tradições locais, dando continuidade ao apoio à atividade regular dos grupos e à realização de iniciativas conjuntas como o “Folclore na Praça”, o “Festival Internacional de Folclore de Esposende”, a “Desfolhada à Moda Antiga” e o “Magusto-Convívio”.

Com mais de 60 grupos e colecionadores e mais de 600 participantes, o primeiro “Traj’a Norte” pretende afirmar Esposende como ponto de encontro da cultura tradicional do Norte, proporcionando ao público uma viagem pela memória, pela identidade e pelas formas de viver e vestir das comunidades do território entre o Douro e o Minho.

Conteúdo atualizado em14 de setembro de 2026às 15:37