16h30 | Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura
O Desenho compreendido como errância fronteiriça foi o objeto de investigação do autor, no âmbito da tese de doutoramento apresentada, em 2007, à Universidade de Vigo, na Faculdade de Belas-Artes de Pontevedra. Durante cerca de 10 anos, a filosofia do limite, em Eugenio Trías, foi estudada e aplicada no sentido de garantir lastro ontológico à ideia de que o Desenho é percorrido ad intra pelo jogo tenso entre as potências conjuntivas e as potências disjuntivas. Sendo o desenhador um sujeito fronteiriço, alçado aos limites do mundo e postado face ao mistério, é através de uma razão crítica que no limite ele se abre à sombra desta, ou seja, à sem-razão; podendo, de forma indireta e analógica, recorrer ao poder do símbolo para estabelecer diálogo, sempre defetivo ou precário, com tudo aquilo que ultrapassa os aconteceres fenomenológicos deste mundo e que, segundo o filósofo espanhol, tem a sua morada nesse âmbito impenetrável a que chama cerco hermético.
Logo, trata-se de fazer a viagem requerida pela inteligência passional, errando entre o mundo e o mistério, entre a razão e a sem-razão, entre o ser e o nada. Porque, sempre que uma linha viaja sobre o papel estabelecendo fronteiras físicas definidas, ao mesmo tempo essa linha abre-se, de forma interrogante, ao infinito dos significados e dos sentidos: é conjuntiva e disjuntiva ao mesmo tempo, une e separa ao funcionar como charneira entre matéria e transcendência.
Em 11 de Abril de 2025
António Mendanha
