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Projetos

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Os projectos de Viana de Lima não são conversões ou aculturação de reproduções de edições vagamente analisadas, há um labor sustentado. Os exemplos indutores da arte podem ser associados às produções de Viana de Lima porque estas obras acrescentam algo de novo ao glossário arquitectónico português, descolam do usual da época onde estão inseridas e marcam a diferença. O arquitecto estabelece o elo de ligação entre o passado e o presente, desenvolvendo projectos de continuidade, convertendo-os em interpretações polemicamente originais. A solidão e os ventos de mudança dos regimes europeus da segunda metade da década de 40 assolam as estruturas sócio-culturais e o 1.º Congresso do SNA acentua a determinação do ODAM. Esta reunião de factos impulsiona à reivindicação de um lugar na família moderna nos CIAM, liderado pelo nosso arquitecto, em 1948 e em 1950 é consumada a integração no 8.º CIAM em Hoddesdon, em Inglaterra.

As forças da localização de uma da casa das Marinhas são definidas pelos seus limites físicos e mostram-se como um dos mecanismos que actuam no método criativo. A envolvente próxima, as energias ocultas dominantes participam no diálogo entre a forma do objecto e as linhas de força de influência no processo da produção da leitura da imagem da obra. O movimento plano, natural da linha do horizonte, da veiga e a cooperação das forças de mobilidade da via definem vectores de energia. A paisagem envolvente influencia o desenho da obra orientando o olhar para o ângulo mais favorável do panorama.

O moinho testemunha a decadência da revolução do milho. O vestígio da arquitectura indígena certifica as afinidades com o meio envolvente, em que a agricultura florescente justificava a presença do objecto no ciclo do pão.
A consequência de se entrar, transversalmente a uma cota baixa para o terreno, a delimitação do ângulo de visão das árvores e a vegetação encaixilham a recepção produzindo um efeito de proximidade.
O eixo de referência longitudinal permite ao observador ter conhecimento do todo sobre o objecto. Este destaca-se do fundo preenchido pelo monte a norte. O alvo, o moinho, assume protagonismo por se identificar com a forma pura do cilindro. O contraste da linha curva com a recta afirma-se.

A estrutura é vista como um sistema de relações onde é perceptível a participação do geral com o particular. Podemos observar as conexões dos vectores de energia dominante da estrutura natural com o objecto de arquitectura. A própria actividade latente da figura, o dinamismo acentuado pela fragmentação formal, funciona como factor característico do movimento do moderno.